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GRIS no frete: o que é, como é calculado e por que aparece na sua fatura

Transking18 de junho de 20266 min de leitura
GRIS no frete: o que é, como é calculado e por que aparece na sua fatura

Se você já contratou um frete e recebeu o CT-e com uma linha chamada "GRIS", talvez tenha se perguntado o que é aquela cobrança e por que ela está ali. A sigla não é detalhada na maioria das faturas, mas representa uma das partes mais importantes do que você paga ao transportar uma carga: a segurança dela.

Neste artigo, a Transking explica de forma direta o que é o GRIS, como a taxa é calculada, qual a diferença para o Ad Valorem e como o embarcador pode usar esse conhecimento para negociar melhor o frete.

O que é GRIS

GRIS é a sigla para Gerenciamento de Risco. No transporte de cargas, é uma taxa percentual incluída no valor do frete com um objetivo específico: cobrir os custos das medidas de segurança que protegem a mercadoria durante o trajeto, sobretudo contra roubo e furto.

Ela aparece destacada no CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico) e é praticamente universal no Brasil, cobrada na maioria das unidades federativas. Mas há uma lógica sobre quando ela incide: o GRIS recai principalmente sobre cargas de alto valor agregado, em que o risco de roubo é maior — eletrônicos, eletrodomésticos, medicamentos, alimentos, joias, celulares.

Em cargas de baixo valor agregado, como areia, pedra ou materiais de construção, normalmente o GRIS não é cobrado. O motivo é simples: o prejuízo potencial em caso de sinistro é pequeno, e o custo de proteger aquela carga não se justifica.

O que o GRIS custeia na prática

O valor recolhido pelo GRIS não é lucro do transportador. Ele financia toda a estrutura de gerenciamento de risco que mantém a carga segura:

  • Mensalidade da gerenciadora de risco contratada
  • Consulta e cadastro de motoristas
  • Escolta armada para cargas específicas
  • Sistemas de rastreamento e monitoramento em tempo real — equipamentos, habilitação e manutenção
  • Mão de obra de monitoramento: salários, encargos e plantões da equipe que acompanha a frota
  • Seguro contra roubo e desaparecimento de carga (RC-DC)
  • Materiais de proteção, como cantoneiras e embalagens especiais, além da gestão da documentação de segurança

Quando uma transportadora opera com rastreamento 24 horas e veículos monitorados — como é o caso da operação de carga lotação da Transking —, é essa estrutura que o GRIS sustenta.

GRIS e Ad Valorem: qual a diferença

Essas duas taxas costumam ser confundidas porque aparecem juntas no frete e ambas são percentuais calculados sobre o valor da nota fiscal. Mas têm finalidades distintas.

CaracterísticaAd ValoremGRIS
O que éTaxa ampla ligada ao valor da mercadoria ("frete valor")Fração específica para custear a segurança
FinalidadeCobrir perdas e danos à carga em geral, incluindo o seguroCustear medidas contra roubo e a estrutura de gerenciamento de risco
Base de cálculoValor da nota fiscalValor da nota fiscal
RelaçãoTaxa mais abrangenteÉ um dos componentes do Ad Valorem

Em resumo: o Ad Valorem existe porque o transportador é responsável pela carga durante todo o trajeto — da coleta à entrega — e responde por perdas, avarias e extravios. O GRIS é a parcela desse conjunto voltada exclusivamente à prevenção de roubo e à inteligência de segurança da operação.

Como o GRIS é calculado

Aqui está um ponto que confunde muitos embarcadores: não existe um valor único ou tabelado para o GRIS. Cada transportadora define a taxa conforme o tipo de carga, a rota, o histórico de risco da região, a necessidade de escolta, o nível de monitoramento e os custos de seguro envolvidos.

O que existe são referências de mercado. A NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) estabelece parâmetros para iniciar o cálculo:

Vagas (site)

Captura do formulário Trabalhe Conosco do site transking.com.br/vagas (server-to-server).

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  • Valor de referência: 0,30% sobre o valor da NF-e
  • Cobrança mínima: R$ 3,00 por CT-e
  • A alíquota pode variar — chegando a 0,4% ou mais — conforme a distância e a classificação de risco da carga

Um exemplo prático: uma mercadoria de R$ 10.000 em nota, percorrendo 500 km, com alíquota de 0,4%, geraria um GRIS de R$ 40,00. Quando há risco simultâneo de perda e de roubo, a NTC recomenda que GRIS e Ad Valorem sejam cobrados em conjunto.

O que faz a taxa subir ou descer

Vários fatores influenciam o percentual aplicado. Entender esses critérios ajuda o embarcador a saber se sua carga foi classificada corretamente:

  • Valor agregado e facilidade de revenda: celulares e joias elevam a taxa, pois são alvos fáceis
  • Facilidade de manuseio e peso: carga leve e simples de carregar tende a ter taxa maior
  • Identificabilidade do produto: itens com número de série ou lote reduzem o risco — e a taxa
  • Rota: áreas de risco ou de difícil acesso aumentam a taxa; rotas mais seguras a reduzem
  • Cadastro de motoristas e exigências da seguradora: documentação em dia e processos maduros pesam a favor

O contexto que explica tudo

O GRIS não é uma invenção das transportadoras para inflar o frete. Ele responde a um problema estrutural brasileiro: o roubo de cargas. Segundo a NTC&Logística, o país registrou cerca de 14 mil ocorrências de roubo de cargas em 2020, com prejuízo estimado em R$ 1,2 bilhão — e o Sudeste concentra a maior parte dos casos.

Foi esse cenário que transformou o gerenciamento de risco em condição contratual exigida pelas seguradoras e em item central na formação do preço do frete. Sem ele, boa parte das cargas valiosas simplesmente não teria cobertura.

Como o embarcador pode usar isso a seu favor

Entender o GRIS muda a forma como você negocia. Três pontos práticos:

  1. Verifique a classificação da sua carga. Saber em qual faixa de risco sua mercadoria foi enquadrada evita que você pague como "alto risco" algo que não é.
  2. Negocie em volume. Em contratos de longo prazo ou alto volume, o GRIS é negociável. Compartilhar informações de risco, definir rotas mais seguras e exigir tecnologia de monitoramento ajuda a reduzir o percentual.
  3. Veja a taxa como um indicador. Um GRIS bem estruturado sinaliza uma transportadora com maturidade de segurança — rastreamento, gestão de risco e seguros em dia. É um sinal de confiabilidade, não apenas um custo.

Conclusão

O GRIS deixa de ser uma sigla obscura na fatura quando você entende o que ele protege: a integridade da sua carga e a previsibilidade da sua operação. Mais do que um custo, é o reflexo da estrutura de segurança que está por trás de cada entrega.

Na Transking, o gerenciamento de risco faz parte do serviço de carga lotação, com frota própria, veículos dedicados e rastreamento 24/7. Se a sua empresa precisa transportar cargas com segurança e previsibilidade entre Minas Gerais e o restante do Brasil, fale com a nossa equipe e solicite uma cotação.

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